A profissionalização da meliponicultura – nome dado à criação racional de abelhas sem ferrão – foi o foco dos debates realizados na terceira edição do Encontro Uruçu na Cabruca, que reuniu cerca de 200 pessoas, entre meliponicultoras(es), especialistas e convidadas(os), no último dia 23, em Uruçuca. A programação foi marcada por rodas de conversa e oficinas sobre boas práticas no manejo de abelhas nativas sem ferrão no contexto da agricultura familiar no Sul da Bahia. 
O evento contou com momentos especiais protagonizados pelas comunidades alcançadas, como o compartilhamento, pelos meliponicultores, de saberes sobre como lidar com ataques de inimigos das abelhas, por exemplo. Ainda, produtos que mostram o potencial da biodiversidade em seus territórios foram trazidos por representantes das comunidades. Ainda, indígenas participantes do projeto protagonizaram um ritual como forma simbólica de reconhecimento ao trabalho das abelhas na natureza, destacando a origem indígena da prática de criação da Uruçu Amarela.
Mais trocas, mais conhecimento, mais fortalecimento
Leia Dias, coordenadora de meliponicultura na Tabôa, explica que o encontro é o momento de troca de saberes entre os meliponicultores e entre os convidados da área de meliponicultura. “É também uma oportunidade de fortalecer os vínculos entre aqueles que estão há mais tempo no projeto e os que chegaram mais recentemente. É um marco anual onde é possível renovar as experiências do dia a dia da prática”.
É o que pensa Luiz Alberto, meliponicultor destaque pelas boas práticas de manejo. Para ele, “a troca de informações que acontece no encontro é muito importante, porque a gente pode passar o conhecimento que a gente tem e também aprender com os outros meliponicultores”. Luiz colheu 22 quilos de mel este ano e projeta superar esse número na próxima colheita. “Participar do projeto, além de aumentar o nosso conhecimento, ainda ajuda a tirar a Uruçu Amarela da extinção”, pontua.
O meliponicultor foi um dos que receberam o reconhecimento no encontro, assim como Teresa Santiago, do assentamento Dois Riachões (Ibirapitanga, BA), que foi destaque na produção a de mel; Cleidinéia Galvão, do assentamento Ressurreição (Ilhéus, BA), destaque na categoria protagonismo feminino; e Joana Carvalho, do assentamento Nova Vitória (Ilhéus BA), que se destacou no protagonismo juvenil.
As trocas e a coletividade foram o ponto forte também para a meliponicultura Noêmia Souza, do assentamento São Bento (Ilhéus, Bahia). Ela conta que a organização das abelhas inspirou o trabalho em grupo. “Na minha comunidade participam do projeto 12 pessoas, e hoje temos um total de 134 caixas de abelhas. Realizar o manejo das abelhas uniu mais um pouco a comunidade, pois a organização delas, nos ajudou a perceber como cada um fazendo a sua parte contribui para o todo. O encontro e o projeto foram um divisor de águas, pois me ajudaram a socializar mais, a tirar dúvidas com outras pessoas”, conta.
Para ampliar o conhecimento sobre a profissionalização da prática, a programação contemplou as oficinas formativas Implantação de pasto melitófilo: manejo e produção de mel, com o instrutor Evandro Lopes; Colheita e extração do mel de uruçu: boas práticas e cuidados para a qualidade, com Jerônimo Villas Boas, consultor técnico do projeto; e Plano produtivo de meliponicultura na prática, com Gabriel do Carmo, técnico do projeto Uruçu na Cabruca.
Sobre o projeto Uruçu na Cabruca | Por meio da iniciativa, apoia-se famílias agricultoras na prática da meliponicultura, associada a outras atividades agrícolas que já desenvolvem, a exemplo do cultivo de cacau cabruca, contribuindo para maior empoderamento econômico, segurança alimentar e também para a proteção da biodiversidade, uma vez que as abelhas são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas locais.Foto: Acervo Tabôa | Florisval Neto


