Cacau cabruca – uma história mais sustentável no sul da Bahia

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Autor: Comunicação Tabôa
Data: 26/03/2024
Fruto originário da região amazônica consumido há mais de cinco mil anos, o cacau foi introduzido na Bahia a partir de sementes trazidas do Pará na primeira metade do século XVIII. A expansão aconteceu no fim do século XIX e no início do século XX, com a substituição do cultivo de cana–de-açúcar por grandes propriedades de cacau. 

Mesmo com a disseminação da praga vassoura-de-bruxa, em 1989, quando a cultura na região foi quase dizimada, o fruto continua sendo parte considerável da história, cultura e economia no sul da Bahia – emprestando o nome para o território conhecido como Costa do Cacau – e  cooperando para que o Brasil figure no atual 6º lugar na produção mundial de cacau.

Atualmente, a história do cacau, nessa região, tem como protagonistas pequenos produtores que utilizam um sistema de cultivo específico denominado cabruca. Praticada por comunidades locais há mais de duzentos anos, a cabruca contribui para preservar a Mata Atlântica, gerando também inúmeros benefícios e influências na vida das famílias agricultoras.

 

“Venha cá brocar a mata”, “Cá brocar”, “Cabrucar”

O cultivo do “fruto de ouro” à sombra de árvores nativas e frutíferas da Mata Atlântica é tradicional e remonta à época em que foi implantado no sul da Bahia. Como o cacau precisa de sombra e umidade para crescer, o(a) produtor(a) retira a vegetação de baixa estatura e alguns galhos, raleando a área, para torná-la menos densa e, assim, receber os cacaueiros. Daí deriva a palavra cabruca, da expressão “Venha cá brocar a mata”, “Cá brocar”, “Cabrucar”. 

O decreto estadual 15.180/2014 prevê que, para ser considerado sistema cabruca, um hectare precisa apresentar pelo menos 20 espécies nativas. É de se esperar, portanto, que, além de preservar a floresta em pé, essa densidade de árvores traga benefícios ambientais, econômicos e sociais. 

 
Ao plantar outras frutíferas, como banana, abacaxi, cupuaçu, laranja, por exemplo, as famílias agricultoras têm colheita ao longo do ano, e não dependem exclusivamente do cacau. Uma lógica que promove a diversificação do cultivo e contribui para a segurança alimentar das famílias agricultoras.

A amêndoa é o principal produto do cacau, mas é possível empreender produzindo chocolate e subprodutos como nibs, cacau em pó, mel de cacau e a manteiga de cacau. É o caso, por exemplo, das 19 agroindústrias familiares apoiadas  em 2022 pela Tabôa e pela Rede de Agroecologia Povos da Mata, por meio da Muká Plataforma Agroecológica, e que têm um peso significativo na renda das famílias ao transformar a amêndoa em produtos beneficiados, que são comercializados em feiras orgânicas e circuitos de mercados dentro e fora da Bahia.

Segundo dados da publicação Cacau no Brasil: produção com responsabilidade sócio-ambiental, realizada pelo Educaccau, AIPC e pelo Instituto Arapyau, 80% do cacau no Brasil é produzido em sistemas agroflorestais (SAFs). Em termos ambientais, um sistema de cultivo que não desmata contribui para o armazenamento e remoção do CO2 da atmosfera, sendo, portanto, uma agricultura de baixo impacto ambiental. Além de preservar a Mata Atlântica, aumenta a resiliência das(as) agricultoras(es) frente às adversidades, e contribui para o enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas.

No cotidiano das unidades produtivas, ainda é possível presenciar uma cultura que, à sombra das árvores, guarda saberes e fazeres locais, como a quebra do cacau e o manejo familiar do fruto. 

Fortalecendo a cadeia produtiva do cacau cabruca

Fortalecer as famílias agricultoras e a cadeia produtiva do cacau cabruca é fortalecer dimensões ambientais, econômicas e culturais dessa região. Para contribuir com a transição para a sustentabilidade e para a geração de impactos positivos em territórios rurais, a Tabôa investe na metodologia que reúne acesso a crédito e assistência técnica rural. De acordo com o relatório anual de atividades da organização, só em 2022, foram disponibilizados R$ 1,29 milhão em carteira ativa, sendo 88% voltadas para o custeio do cacau. 

Na semana em que celebramos o Dia Nacional do Cacau – 26 de março – pautamos a importância do cacau cabruca em uma série de matérias. Abordaremos, no próximo texto, o que é cacau de qualidade e o impacto do apoio aos agricultores(as) que produzem amêndoas de qualidade, em especial, para fazer o chocolate nesta Páscoa.


Fotos: Acervo Tabôa | Analee.

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