Créditos de empoderamento feminino viabilizam recursos para negócios coletivos em assentamentos rurais no Sul da Bahia

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Autor: Comunicação Tabôa
Data: 09/10/2026

Para aproveitar cada fruta que cresce na unidade produtiva, um grupo de mulheres do Projeto de Assentamento (PA) Ressurreição, em Ilhéus (BA), aprendeu a transformá-las em polpa, iniciando  um negócio coletivo. Foi assim que cupuaçu, cacau e acerola colhidos por suas mãos foram processados na despolpadeira, ensacados e congelados para serem comercializados, inicialmente, para vizinhos e em feiras livres. Todo esse processo foi resultado do aprendizado prático para a implementação do modelo de negócio escolhido por elas.

“O projeto surgiu e nós agarramos porque aqui perdemos muitas frutas, como cupuaçu, cajá, acerola e graviola. Então, a gente vai fazendo as polpas para vender, para ter  uma renda extra. Eu pude ver também a união das mulheres que estão colaborando com cada etapa”, celebra a agricultora Sirley Santos, que participou do curso de despolpa, ocorrido  nos dias 25 de setembro e 2 de outubro. 

Para Raimunda Lourenço dos Santos, ter a despolpadeira é uma realização.

“Era um sonho que eu tinha, da gente realizar isso aqui no PA Ressurreição, de ter uma despolpadeira. Para as mulheres da comunidade, é muito importante, porque vamos trabalhar em conjunto e botar o trabalho em ação”, conta.

O grupo acessou R$ 13.750 mil para estruturar seu empreendimento, com despolpadeira, freezer, seladora, e para realizar adequações necessárias no espaço. Esses recursos vêm da geração e comercialização de créditos de empoderamento feminino pelo Padrão W+, cujo processo de mensuração, venda e distribuição dos créditos foi conduzido pela desenvolvedora de impacto ERA Brazil, com o apoio do Instituto Arapyaú e da Tabôa.

Desenvolvida pela Women Organizing for Change in Agriculture and Natural Resource Management (WOCAN), a metodologia de geração de créditos de empoderamento feminino pelo Padrão W+ depende da mensuração de indicadores que avaliam as mudanças na vida das mulheres participantes, com base em dados coletados nos projetos e nas comunidades envolvidas. No caso das comunidades alcançadas no sul da Bahia, os créditos foram gerados a partir dos resultados obtidos por agricultoras familiares alcançadas pela Tabôa. 

Os investimentos nas comunidades alcançaram mais três negócios coletivos nos assentamentos Nova Vitória e Demétrio Costa, também em Ilhéus, e Nova Vida, em Itacaré. A Tabôa também foi responsável por acompanhar e orientar a implementação do projeto no campo. 

Karine Araújo, coordenadora de crédito rural na Tabôa, conta que o processo foi iniciado em 2023, com realização de entrevistas em comunidades alcançadas pela instituição, seguida da formação de grupos de mulheres nos quatro assentamentos e da criação e implementação dos negócios coletivos com o recurso recebido. 

“Com a metodologia do Instituto Era, reunimos as mulheres interessadas e as escutamos sobre qual o tipo de projeto queriam desenvolver. Elaboramos junto com elas um modelo de negócio para começarem a entender como funcionaria a gestão e outros aspectos. Esse processo aconteceu  nas quatro comunidades”, explica Karine. 

As mulheres que participam no Assentamento Nova Vida decidiram construir um viveiro para a produção de mudas de cacau, frutíferas e espécies ornamentais. O negócio já vem gerando recursos a partir da comercialização das mudas para outras(os) agricultoras(es).

Outro viveiro, com objetivo produtivo semelhante, foi implantado no Assentamento Demétrio Costa e está em estruturação. E no PA Nova Vitória, as mulheres optaram por adquirir uma desidratadora para a produção e venda de frutas desidratadas como jenipapo, banana, goiaba, cupuaçu e jaca, iniciativa que também está sendo estruturada.

As aulas sobre beneficiamento e manipulação dos alimentos ficaram por conta do IF Baiano – Campus Uruçuca. “O IF Baiano entrou com sua atividade extensionista, através de cursos de formação inicial e continuada, que são os nossos cursos FIC, em que proporcionamos capacitações em diversas áreas. E uma delas é essa aqui, de preparar a comunidade para ter boas práticas de fabricação e processamento de frutas e derivados”, comenta a professora Julianna Torres.

A iniciativa mostra como o conhecimento pode se transformar em renda e mais autonomia para as 65 mulheres alcançadas, a partir do apoio à organização coletiva e do reconhecimento de seus trabalhos para o fortalecimento do território. 

Fotos: Acervo Tabôa | Tacila Mendes

 

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