Publicação reúne propostas construídas coletivamente para o território de Serra Grande

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Autor: Comunicação Tabôa
Data: 08/09/2026

No marco de seus 10 anos de atuação, a Tabôa reuniu, em 2025, moradores, lideranças comunitárias, integrantes de organizações e coletivos da sociedade civil e representantes do poder público local de Serra Grande (Uruçuca, Bahia) para uma tarefa coletiva: refletir sobre o presente do território e projetar, juntos, o futuro que desejam para os próximos dez anos. 

Os resultados desse processo de discussão comunitária foram sistematizados na publicação “Construindo coletivamente a Serra Grande que queremos: Ideias e caminhos para um território mais justo e sustentável”. O material traz a síntese de propostas e aspectos importantes a serem considerados no planejamento local, a partir de uma abordagem intersetorial e interseccional, servindo como insumos também para novas reflexões e construções coletivas. 

As ideias que emergiram foram organizadas em oito eixos temáticos: Saúde, Educação, Cultura, Esporte, Meio Ambiente, Segurança, Socioeconomia e Participação Social e Gestão Pública. Esses temas foram definidos a partir de atividades anteriores realizadas no âmbito da Aliança Comunitária, articulação que reúne representantes de diversas iniciativas locais.

 

Propostas-sementes para cultivar futuros coletivos

Longe de serem conclusivas, as propostas trazem ideias-sementes sintetizadas a partir das vivências e visões de participantes e moradores de Serra Grande, e que foram compiladas nos eixos a seguir. 

No campo da saúde, o desejo coletivo inclui um sistema público estruturado e dimensionado para a real demanda do território – com atenção integral que inclua não apenas o cuidado clínico, mas também o acolhimento emocional, o lazer e o fortalecimento da autoestima. 

Já a visão coletiva para a educação ultrapassa os muros da escola. A comunidade aponta para um território educador, onde escolas, famílias, organizações e espaços comunitários constroem juntos uma educação cidadã, cultural e territorializada. 

No eixo que trata da cultura, o setor é percebido como motor de desenvolvimento local. As propostas defendem apoio institucional a práticas como o plantio, a capoeira, a pesca artesanal e as tradições afro-indígenas, e a estruturação da economia criativa, do turismo comunitário com autonomia cultural e a criação de meios próprios de comunicação.

O esporte é visto pela comunidade como prática cultural, política e cidadã, essencial para uma vida coletiva saudável e colaborativa. As propostas apontam para a garantia de acesso a todas as faixas etárias, gêneros e grupos sociais, e para a inserção do esporte como potencialidade econômica, vinculada ao turismo e à economia solidária.

Em relação ao meio ambiente, o cumprimento rigoroso das leis ambientais aparece como demanda prioritária neste eixo. A comunidade aponta também para o turismo sustentável de base comunitária e para o fortalecimento da agricultura familiar agroecológica, integrada à conservação e à economia solidária.

Na socioeconomia, o horizonte coletivo é o de uma economia diversificada que gere renda sem gerar exclusão. O fortalecimento de empreendimentos comunitários, o protagonismo da comunidade local nos postos de trabalho e a garantia de educação continuada a partir de uma rede de cuidados, com creche e escolas integrais, estão entre os caminhos apontados.

A segurança que a comunidade deseja é cidadã, fundamentada no respeito aos direitos de todas as pessoas, na equidade e na promoção da autoestima comunitária. As propostas incluem a melhoria das infraestruturas e serviços urbanos, uma polícia atuando em parceria com a comunidade, e a criação de um fórum permanente de diálogo com ampla participação popular.

Transversal a todos os eixos, o tema da participação social e gestão pública revela um desejo coletivo por mais espaços de participação política e comunitária. Entre os caminhos apontados estão a formação política comunitária permanente, conselhos atuantes e o orçamento participativo com acompanhamento popular efetivo das ações públicas locais.

O processo participativo de discussão comunitária é contínuo e, por isso, as ideias acima são um convite para novas reflexões e construções coletivas. Acesse a publicação, confira as propostas na íntegra e saiba como participar. 

Assista também aos vídeos da campanha Construindo Coletivamente a Serra Grande que Queremos: Vídeo 1 e Vídeo 2.

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