Realizada primeira colheita experimental da safra de inverno do Projeto Uruçu na Cabruca
VoltarÉ possível produzir mel de Uruçu-Amarela (Melipona mondury) no inverno do sul da Bahia? A resposta começou a ser construída na prática. Marcando uma nova etapa no fortalecimento da meliponicultura na região, a primeira colheita experimental da safra de inverno, realizada no âmbito do projeto Uruçu na Cabruca, permitiu reunir aprendizados e conhecimentos que irão contribuir para o planejamento e o desenvolvimento das próximas etapas do projeto.
A colheita de inverno testou o potencial da região para duas safras anuais de mel – uma no inverno e outra no verão -, uma vez que, até esse momento do projeto, foram realizadas apenas colheitas no verão. A partir da observação das características do regime de chuvas e da disponibilidade de recursos florais para as abelhas, foi observado que enquanto algumas comunidades apresentam condições naturais favoráveis para uma segunda colheita no ano, outras ainda não demonstraram o mesmo potencial.
“Essa foi uma constatação muito importante porque orienta a criação de novas ações estratégicas, e reforça a importância de se plantar pastos melitófilos diversificados com espécies que florescem em diferentes épocas do ano, para se ter mais de uma colheita e, assim, aumentar a geração de renda para os agricultores”, conta Felipe Humberto, gerente de Restauração Florestal e Cadeias Produtivas na Tabôa.
Os 42,620 kg de mel da safrinha de inverno foram colhidos a partir de 59 melgueiras tradicionais – 20cmx20cm – produzidas por 31 colônias. Elas pertencem a cinco meliponicultores de diferentes comunidades como Nova vitória (Ilhéus), Ressurreição (Uruçuca), Associação de Moradores e Agricultores do Rio de Engenho e Adjacências – AMAREA (Ilhéus) e Serra Grande (Uruçuca).
Léia Dias, coordenadora de meliponicultura na Tabôa conta que, além de verificar o potencial de produção nesse período, a colheita foi importante para entender como os manejos de preparação das colônias podem contribuir para os resultados. “Antes da colheita, houve todo um trabalho de acompanhamento técnico, com fortalecimento e alimentação das colônias, adição de cera, cuidados com os meliponários, controle de inimigos naturais e preparação das colônias que estavam em condições de receber melgueiras. Tivemos meliponicultores com produções bastante expressivas, e agora queremos entender quais fatores contribuíram para esses resultados, e como podemos replicar as boas práticas. Essa experiência reforçou para nós que a safra começa muito antes da colheita: ela é resultado do manejo, do acompanhamento e da preparação das colônias”, destaca.
A extração aconteceu, no dia 25 de setembro, em uma unidade estruturada especificamente para essa finalidade no IF Baiano – Campus Uruçuca. Cada meliponicultura e meliponicultor receberá o valor de R$ 125 por quilo de mel bruto extraído, sem beneficiamento, de suas melgueiras, e o produto será destinado ao Instituto humanize, um dos apoiadores do projeto Uruçu na Cabruca.
Regularização e fortalecimento de meliponicultoras (es)
Na iniciativa implementada pela Tabôa em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano) – Campus Uruçuca, a meliponicultura é trabalhada de forma integrada aos sistemas produtivos das comunidades alcançadas e às áreas de cabruca, onde a presença de cobertura florestal oferece condições favoráveis para a criação das abelhas nativas. Para fortalecer a geração de renda por meio dessa atividade, o projeto também conta com outro marco importante nessa etapa: o apoio à regularização fiscal e sanitária dos meliponários e a inclusão de meliponicultoras e meliponicultores no sistema financeiro.
“Apoiamos os participantes na conclusão dos cadastros e na regularização sanitária e burocrática de todos os meliponários do projeto. Fizemos a regularização na Sefaz (Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia) e, agora, eles podem emitir nota fiscal como agricultor, o que é essencial para venderem o mel e outros produtos de suas propriedades. Apoiamos também a inclusão bancária de todos os participantes. Agora, todos têm uma conta bancária no próprio nome para receber os valores referentes à venda do mel ”, celebra Felipe.
Concluída a primeira safra de inverno, já foram iniciados os preparativos para o próximo ciclo produtivo. Neste momento, as técnicas e técnicos de campo da Tabôa estão trabalhando junto com os meliponicultores na instalação de melgueirões nas colônias destinadas à produção de mel e na condução dos plantéis de multiplicação para a geração de novas colônias.
O projeto Uruçu na Cabruca conta com apoio do Ministério Público do Estado da Bahia, que também participou de sua concepção, e do Instituto humanize.