Regenerando a terra e cultivando sonhos: jovem agricultor aposta na restauração produtiva
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Aos 19 anos, Carlos André, agricultor agroecológico no Assentamento Dois Riachões (Ibirapitanga, Baixo Sul da Bahia), expressa com convicção quando perguntado sobre o futuro: “Não me vejo vivendo na cidade. Me vejo mexendo com a terra”. Morador da comunidade desde o primeiro ano de idade, divide os afazeres do campo com o avô e, além da experiência acumulada no dia a dia, também frequentou o curso de técnico agrícola. Nessa jornada de aprendizados, o jovem passou a contar, em 2025, com o apoio da Tabôa para colocar em prática uma ideia que já cultivava há um tempo: tornar produtiva e biodiversa uma área degradada. Ao acessarem os recursos, os participantes se comprometem a seguir alguns protocolos e requisitos ambientais. O processo é continuamente acompanhado e monitorado pela equipe da Tabôa, que, a cada seis meses, realiza avaliação para verificar se as ações previstas no Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) – construído junto com cada agricultor/a – foram implementadas dentro do acordado para o período. Caso tenham sido, é aplicado o instrumento de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) e o agricultor é isento de pagar a parcela do crédito referente àquele semestre.
Felipe Humberto, gerente de Restauração e Cadeias Produtivas da Tabôa, explica que a ideia central da iniciativa – que conta com apoio da Fundação Arymax, Instituto humanize, Fundo Pranay e Instituto Clima e Sociedade (iCs) – é fomentar a geração de renda para se alcançar a recuperação ambiental. “Partimos da premissa que um dos principais gargalos de famílias agricultoras na implantação de sistemas produtivos agrícolas regenerativos é o acesso a recursos financeiros, tendo em vista os altos custos iniciais para a implantação dos projetos e a insegurança técnica para o desenvolvimento de novos modelos produtivos”, conclui. A previsão é que até 2029 sejam recuperados 30 hectares de áreas degradadas no sul da Bahia.
Na área de Carlos André, a transformação já está brotando na terra. O jovem vem aplicando o manejo orientado pela equipe da Tabôa que o acompanha, e avalia o processo de implementação de seu SAF agroecológico. “Após quatro meses de início de manejo, já fiz mais da metade dessa etapa do projeto. Antes, o solo estava bastante compactado e com braquiária. Aí fiz roçagem manual, cavei, fiz adubação de berço utilizando esterco de galinha, usei calcário e pó de rocha. Já plantei banana, milho, aipim, quiabo e jiló”, conta com entusiasmo.
O diálogo entre os saberes técnicos e empíricos gera aprendizados para todos os envolvidos. “Nós também aprendemos muito nessa troca com os agricultores”, conta Laís Rossatto, coordenadora do projeto. “A gente vem desenvolvendo a metodologia, trocando muita experiência, aprendendo uns com os outros. Nós preferimos chamar de acompanhamento técnico pois estamos ombro a ombro, com presença frequente na área. O trabalho no campo é inerente ao agricultor, então o que fazemos é trocar conhecimento e fazer junto, nas visitas, de forma on-line, e também realizando oficinas coletivas, além de contribuirmos na parte da logística”, pontua.Fotos: Acervo Tabôa | Florisval Neto