Tabôa e Rede Povos da Mata impulsionam produção agroecológica na Bahia
VoltarAutor: Comunicação Tabôa
Data: 30/11/2023

Fortalecer a agricultura familiar de base agroecológica para fomentar o desenvolvimento rural sustentável, respeitando a sociobiodiversidade e contribuindo para a distribuição justa de renda no campo. Esta é a proposta que a Tabôa Fortalecimento Comunitário e a Rede de Agroecologia Povos da Mata implementam colaborativamente por meio da Muká Plataforma Agroecológica, cujas ações já apoiaram agricultoras e agricultores em 51 municípios baianos da Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.
Unir e reunir, tal como o sugere o significado da palavra pataxó “muká”, foram verbos que moveram as ações correalizadas pelas duas organizações, por meio de cinco eixos de trabalho estratégicos e complementares: Produção, Beneficiamento, Crédito, Certificação e Comercialização. Nesta matéria, serão apresentados alguns resultados relacionados ao fortalecimento da produção agroecológica entre 2019 e 2022.
A metodologia utilizada na plataforma parte da construção coletiva do conhecimento, valorização de saberes locais e da troca de experiências. O objetivo é gerar e compartilhar práticas agroecológicas voltadas para o fortalecimento de processos de produção. Assim, 281 agricultoras e agricultores familiares contaram com acompanhamento técnico para aperfeiçoar e ampliar o manejo a partir de técnicas agroecológicas e de baixo impacto ambiental. Até 2022, como parte desse processo, foram realizadas 4.311 visitas pelos(as) técnicos(as) que atuam na plataforma.

Ampliação da produção a baixo custo também é uma avaliação do presidente da Rede de Agroecologia Povos da Mata, Hércules Saar, que destaca que o trabalho tem sido realizado aliando a preservação dos recursos naturais. O trabalho de acompanhamento é realizado por técnicos de campo que também são agricultores(as) que compõem a organização. “A Rede é formada pelos agricultores e, portanto, fortalecer o agricultor é fortalecer a Rede. E a Muká fortaleceu os produtores por meio da atuação com os eixos, que ofereceu um alinhamento técnico e crescimento de suas unidades de produção”, afirma o presidente no balanço dos primeiros quatro anos da plataforma.
Para disseminar o conhecimento sobre agroecologia, as famílias agricultoras participam de visitas individuais, visitas em grupo, oficinas técnicas, dias de campo e intercâmbios. De 2019 a 2022, as atividades formativas contaram com mais de duas mil participações.
“Este eixo é bastante dinâmico e o principal desafio foi fazer o agricultor acreditar no manejo oferecido pela equipe da plataforma. Mas pelas respostas positivas que tivemos no campo, tivemos a conquista do respeito dos agricultores(as)”, conta Hércules.
Agroecologia fortalece a diversificação e a produção de cacau de qualidade
O manejo agroecológico contribui para manter e criar estoques de carbono no solo, apoiando a conservação da biodiversidade. “Com a agroecologia, as famílias são beneficiadas com o aumento da nutrição e da saúde, por meio da diversidade de produção. Elas também integram os diferentes conhecimentos sobre plantio e manejo, com capacitações realizadas de camponês(a) para camponês(as). E tem o reconhecimento do trabalho das mulheres e dos jovens, que conferem mais alegria à vida rural”, conta Hércules.
No Sul da Bahia, o cultivo do cacau é o carro-chefe das famílias acompanhadas, e é estimulado o cultivo do cacau cabruca, que cresce à sombra da Mata Atlântica. Entre os métodos adotados para a conservação da biodiversidade está o enriquecimento de áreas de cacau cabruca no Sul da Bahia e a implantação de SAFA (Sistemas Agroflorestais Agroecológicos), onde são plantados cultivos diversos como laranja, mandioca, cupuaçu, abacaxi, banana da prata e da terra. Ao longo desse período, são contabilizados 3.143 hectares sob boas práticas de conservação ambiental.
A produção de cacau aumentou em 19%, devido ao acesso a microcrédito rural, operacionalizado pela Tabôa, mais usados para adquirir insumos. Com isso, a produção de cacau de qualidade também aumentou. “Quando iniciamos, eram quatro agricultores produzindo cacau de qualidade, hoje já passam de 50. A gente entende que a Muká contribuiu para agregar valor aos produtos e renda às famílias, fazendo com que mais produtores olhassem para esse caminho do cacau de qualidade, vendendo o produtos até três vezes acima do valor do cacau commodity”, comenta Gabriel.
Na próxima matéria, vamos apresentar os impactos do eixo de beneficiamento entre 2019 e 2022.
Fotos: Acervo Tabôa | Analee