Tabôa publica resultados de estudo e diagnóstico comunitário em Serra Grande

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Autor: Comunicação Tabôa
Data: 03/08/2023


Ações fazem parte do projeto Engaja Serra, que busca impulsionar o fortalecimento de iniciativas comunitárias no território
  

Gerar e compartilhar conhecimentos sobre a realidade local para apoiar a formulação de ações, projetos e políticas públicas voltadas ao fortalecimento comunitário. Seguindo esse princípio, a Tabôa tem investido na realização de pesquisas e diagnósticos sobre   contextos e agendas temáticas relevantes para o desenvolvimento sustentável e inclusivo em Serra Grande (Uruçuca, Bahia). Como parte desses esforços, foram apresentados, no dia 29 de julho, resultados da pesquisa Mapeamento de Migrantes em Serra Grande e do Diagnóstico de Iniciativas Comunitárias

Os estudos fazem parte das ações do projeto Engaja Serra, que busca fomentar uma cultura de engajamento para transformação positiva do território, com foco no fortalecimento de iniciativas de base comunitária. “As pesquisas foram realizadas para compreender melhor a realidade local, as dinâmicas das mudanças promovidas pela vinda de novas pessoas para o território e para colaborar para o engajamento social, tanto de quem está chegando como das pessoas e das iniciativas que já estavam em atuação. Assim, buscamos somar forças e construir redes para promover o desenvolvimento comunitário e sustentável em que acreditamos”, explica o gerente do Programa de Desenvolvimento Rural da Tabôa, Robson Bitencourt.

Serra Grande, distrito do município de Uruçuca, no sul da Bahia, onde está localizada a sede da Tabôa, situa-se em uma região que abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta e tem recebido grande número de pessoas que chegam de diferentes estados brasileiros e de outros países para residir no território. Estima-se que a população local praticamente triplicou nos últimos anos. 

Os estudos divulgados pela Tabôa mostram que os fluxos migratórios ocorridos nos últimos anos têm desencadeado diferentes alterações socioespaciais no território, que podem ser compreendidas em um contexto de gentrificação e aprofundamento de desigualdades, que atingem especialmente as populações nativas. Por outro lado, Serra Grande conta com um rico tecido social, como demonstra diagnóstico que identificou a existência de, pelo menos, 47 iniciativas de base comunitária, que atuam em agendas socioambientais estratégicas.

“Para responder a alguns pontos identificados no Mapeamento e no Diagnóstico, a Tabôa promove o engajamento com doadores de recursos; facilita a doação para iniciativas comunitárias por meio do Fundo de Desenvolvimento Comunitário; lançou recentemente o #EngajaVoluntariado, para conectar pessoas e causas com as quais desejam contribuir; além das Trilhas de Aprendizagem, que têm o objetivo de fortalecer as  iniciativas ampliando conhecimentos e habilidades em temáticas sugeridas pelas iniciativas”, conta Robson.

Migrantes em Serra Grande

Por meio do mapeamento de migrantes, que contou com a participação de 374 respondentes, foram geradas informações sobre o fenômeno da migração e seus efeitos no território, além de identificar perfil, demandas e interesses de engajamento social das pessoas que responderam à pesquisa.

O estudo foi coordenado por Francine Damasceno, consultora da Tabôa, que adotou como metodologia a pesquisa-ação, contemplando uma abordagem metodológica mista que combinou técnicas e ferramentas derivadas de métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa. Após a aplicação de survey (questionário) em modalidade virtual e presencial, entrevistas semiestruturadas, grupos focais e rodas de conversa, foram realizadas a sistematização e a categorização das informações para consolidação dos dados que compõem o relatório.

“No relatório, também sintetizamos os principais desafios e oportunidades para o crescimento demográfico de Serra Grande, como o reconhecimento das questões de gênero e raça, gentrificação, modelo de desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo, formas de engajamento social para fomento de uma cultura de filantropia comunitária  e outros que podem ser conferidos no documento”, conta Francine.

A pesquisa aponta, por exemplo, uma maioria de migrantes composta por mulheres (70%) autodeclaradas brancas (82%) e em idade produtiva, com predominância entre as faixas etárias de 26 a 40 anos, com elevados níveis de escolaridade. Os modos e desafios de viver em grandes centros urbanos e a busca por melhor qualidade de vida figuram no topo da lista das razões para saída das regiões de origem. 

Além disso, 67% dos entrevistados(as/es) declararam interesse em apoiar o desenvolvimento comunitário, prestando serviço a partir de uma habilidade/ conhecimento, de forma profissional ou voluntária. Outro dado que evidencia a intenção pelo fortalecimento comunitário são os 47% que se disponibilizam a atuar em projetos de impacto na qualidade de vida no território.

Acesse o Mapeamento de Migrantes em Serra Grande aqui.


Diagnóstico de Iniciativas Comunitárias em Serra Grande 


O Diagnóstico de Iniciativas Comunitárias identificou, em 2022, 47 iniciativas socioambientais – coletivos, associações e movimentos protagonizados pela comunidade – em Serra Grande (Uruçuca, Bahia) e entorno. Dessas, 19 foram diagnosticadas e, a partir disso, foram geradas informações para uma melhor compreensão de suas realidades e contextos de atuação. Dentre as principais causas de atuação, estão educação, cultura, esporte, meio ambiente e cidadania. 

“Chamamos de iniciativas comunitárias todos os projetos, coletivos, associações e movimentos que são feitos pela comunidade para a comunidade. Fizemos o diagnóstico para entender quais são as demandas reais das iniciativas”, comenta a coordenadora, na Tabôa, das ações de fortalecimento das iniciativas de base comunitária em Serra Grande, Kamala Aymara. 

A pesquisa traz dados como os 31,6% de iniciativas com mais de 10 anos e os 10,5% com mais de 20 anos, o que revela que a comunidade busca soluções de seus desafios de forma coletiva há muito tempo. Entre as diagnosticadas, 21,1% atuam com educação. Recursos financeiros, pessoas, voluntários e apoiadores e equipamentos são os tipos de recursos que as iniciativas mais precisam.

O documento partiu da base de dados da Tabôa, construída ao longo dos últimos oito anos de atuação no território, e agregou novas informações coletadas em entrevistas e rodas de conversa com lideranças de iniciativas comunitárias, mobilizadas por meio de divulgação em redes sociais da instituição. 

As informações sistematizadas no diagnóstico trazem um retrato do tecido social existente no território, destacando potencialidades, desafios, necessidades e demandas de iniciativas que atuam na redução de desigualdades e construção de maior justiça socioambiental em Serra Grande. Assim, se constituem em insumos para o planejamento de ações de fortalecimento comunitário e também para quem deseja se engajar com iniciativas locais. Como os resultados representam o contexto do momento da pesquisa, o diagnóstico será atualizado periodicamente.

Acesse o Diagnóstico aqui.

Sobre o Engaja Serra: O projeto teve início em 2022, com foco no fomento de uma cultura de doação e engajamento para transformação social, trabalhando diferentes estratégias: produção de conhecimentos sobre a realidade local; fortalecimento de capacidades locais, por meio de trilhas de aprendizagem e assessorias técnicas para desenvolvimento institucional de coletivos, associações e projetos de base comunitária; estruturação de um Fundo de Desenvolvimento Comunitário, lançado em 2023, que mobiliza recursos para doação a iniciativas comunitárias do território; criação de pontes entre pessoas interessadas em voluntariar e iniciativas locais; além de ações de comunicação e incidência. 

Para realização do mapeamento e do diagnóstico, a Tabôa contou com apoio da Rede Comuá, do Global Fund for Communities e do Connecting Communities in the Americas (CCA). 

Foto: Acervo Tabôa | Florisval Neto.

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