
Essa foi a primeira turma de informática finalizada em uma comunidade rural como parte do projeto Jovens Potências - realizado pela Tabôa, com apoio do Instituto Solea - que visa fortalecer capacidades e autonomias de juventudes, e que inclui também o mesmo curso para jovens de Serra Grande (Uruçuca, Bahia).
Em junho, outros três assentamentos passaram a ter aulas de informática básica: além do Nova Vitória, onde foi iniciada a primeira turma, foram contemplados o Rochedo (Uruçuca), Ressurreição e Demétrio Costa (Ilhéus), que também irão concluir as aulas até o final de agosto, alcançando um total de 55 participantes.
“Esses cursos para jovens do campo são muito importantes para colaborar com a qualificação profissional e contribuir para que eles, caso queiram, continuem no campo atuando em outras funções. Temos ouvido, historicamente, que os jovens preferem sair do campo para a cidade para buscar oportunidades que não têm no campo, e isso acaba contribuindo para um êxodo rural importante, e o envelhecimento das comunidades que atuam no campo”, explica Robson Bitencourt, gerente de Desenvolvimento Territorial da Tabôa, instância que ancora o projeto Jovens Potências, do qual o curso de informática nos assentamentos faz parte.

A atividade com os jovens rurais está sendo possível por meio de uma integração com a gerência de Desenvolvimento Rural da Tabôa, que mobilizou os assentamentos e tem feito o acompanhamento das ações no campo. Lívia Barbosa, assistente administrativa desta gerência, explica que, para a realização das aulas práticas, as/os aprendizes tiveram acesso a seis computadores adquiridos como parte do projeto. “Para os participantes, a maioria jovem, percebemos que o curso veio agregar ou mesmo introduzir o conhecimento em informática. O projeto prevê a entrega de dois notebooks e uma impressora, que ficarão em poder das associações, e que servirão para o ampliar a prática em informática, para facilitar as demandas dos assentamentos com uso de ferramentas on-line, e também para multiplicar saberes na comunidade”, conta.
Lília Ester, de 15 anos, conta com entusiasmo sobre a jornada de aprendizado no curso. “Eu quis fazer o curso porque achei uma boa oportunidade. Foi muito legal participar, eu não sabia nem como ligar um computador, eu fui aprendendo a usar ao longo das aulas. Aprendi a mexer no Word, no Excel”. A estudante, que concluiu o curso no dia de seu aniversário, também comemora as possibilidades de crescimento a partir do conhecimento adquirido. “Eu vou levar pro resto da minha vida, pois é um conhecimento muito importante. Algum trabalho da escola que o professor pedir, eu vou vir aqui na sala de informática e já vou saber fazer”, celebra.

As turmas contaram com jovens de idades diferentes, e o instrutor Luiz Felipe avalia positivamente o engajamento dos participantes. “O jovem aprende tudo mais fácil, acredito que absorveram bem o que ensinei. Por mais que hoje em dia todos tenham um celular, existem diferenças entre um celular e um notebook ou computador de mesa, e esse tipo de ferramenta pode ampliar as possibilidades, especialmente, em relação ao campo prifissional”, comenta.
Fotos: Acervo Tabôa | Tacila Mendes