Os viveiros podem desempenhar um papel estratégico no fortalecimento de comunidades rurais, promovendo não apenas a produção de mudas, mas também a troca de saberes, a organização coletiva e a geração de renda. Como parte do planejamento para implantação de um viveiro comunitário no Assentamento Dandara dos Palmares, em Camamu, no Baixo Sul baiano, foi realizado um intercâmbio no viveiro da Biofábrica, em Ilhéus. A ação foi promovida pelo Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP) em parceria com a Tabôa, e aconteceu no dia 2 de outubro, reunindo 13 agricultoras e agricultores dos assentamentos Dandara dos Palmares, Zumbi dos Palmares, Che Guevara e da comunidade do Pau Seco, todos de Camamu. Durante o intercâmbio, foram promovidas trocas de experiências e aprendizados sobre diferentes espécies de mudas e sobre o processo da colheita de sementes até a incubação das plantas.
“A ideia desse intercâmbio é conhecer a estrutura de um viveiro mais profissional, entender como funciona essa dinâmica. Após essa ação, a nossa ideia é realizar um intercâmbio no Viveiro Dois Riachões, que é comunitário e gerido pelas mulheres e jovens”, conta Laís Rossatto, coordenadora do projeto de Restauração Florestal com Inclusão Produtiva, da Tabôa.
Participante do intercâmbio e articuladora de um grupo de jovens no Assentamento Dandara dos Palmares, a agricultora Alexsandra Santana destaca o potencial da prática para fortalecer as juventudes em seus territórios: “A gente quer isso, que os jovens pensem que na zona rural eles também podem conseguir o que eles querem, que não é só olhando para a zona urbana de querer trabalhar só em grandes empresas.”
O projeto de implantação de um viveiro comunitário no Assentamento Dandara atende a uma demanda trazida pela comunidade, aliada à necessidade de mudas para implantação de pastos melitófilos para atender ao projeto Uruçu na Cabruca, e contará com apoio da Tabôa, que aportará recursos por meio de doação para a associação local. “O interesse da comunidade foi identificado a partir de um trabalho de diagnóstico realizado pelo SASOP, onde foi constatada a vontade da comunidade de ter um viveiro para produção de mudas comerciais e nativas e para alcançar, especialmente, mulheres e jovens. Então, a partir disso, nós começamos o diálogo com a comunidade, para fazer a doação para a estruturação desse viveiro comunitário focado nos jovens e nas mulheres, para realizar a doação e a estruturação desse novo negócio”, pontua Felipe Humberto, gerente de Restauração e Cadeias Produtivas da Tabôa.Com a crescente demanda por mudas para recuperação de áreas degradadas e enriquecimento de áreas produtivas, a estruturação de um viveiro tem grande potencial socioambiental, podendo se constituir em um negócio que fortalece as comunidades locais e mantém o ciclo produtivo dentro do próprio território, evitando a necessidade de buscar mudas fora da região.
É assim que os viveiros se fortalecem também enquanto estratégia de construção de resiliência comunitária frente à crise climática, que já atinge desproporcionalmente diversos grupos sociais, dentre eles agricultoras e agricultores familiares.
Fotos: Acervo Tabôa | Florisval Neto


