Agricultoras e agricultores familiares dos assentamentos João Amazonas (Ilhéus/BA) e São Jorge II (Uruçuca/BA) compõem o mais novo grupo de meliponicultoras/es do projeto Uruçu na Cabruca. As/os novas/os criadoras/es de abelha da espécie Melipona mondury, popularmente conhecida como Uruçu Amarela, participaram de um curso introdutório nos dias 21 e 22 de agosto, no IF Baiano - Campus Uruçuca e, após receberem dez colônias emprestadas para iniciarem seus meliponários, passarão a receber acompanhamento técnico para iniciar o manejo.
No curso introdutório do qual todos participam, são compartilhados conhecimentos básicos para iniciar a criação: desde a biologia das abelhas até a prática de manejo e de multiplicação.
Léia Dias, coordenadora do projeto Uruçu na Cabruca na Tabôa, conta que anualmente novos grupos ingressam na iniciativa, atendendo a procura de agricultoras e agricultores interessados em meliponicultura. Este ano, a equipe estabeleceu como critério para novos integrantes, a ampliação do número de meliponicultores em comunidades já acompanhadas pela Tabôa. “Há comunidades que têm menos de 10 meliponicultores. Então, vimos a necessidade de encorpar esses grupos para facilitar, por exemplo, a colheita do mel. Além disso, observamos se os interessados dispõem de área para implantação do meliponário e de pasto melitófilo, e se fazem parte da associação da comunidade, por exemplo”, explica. Além de Léia, também foi facilitadora do curso a professora e responsável pelo setor de meliponicultura do IF Baiano, Julianna Torres, integrante da equipe de coordenação do Uruçu na Cabruca.
O Grupo 3, como passa a ser identificado, é composto por meliponicultoras/es de mais duas comunidades além das já citadas: Aldeia Itapuã (Ilhéus/BA) e Dois Riachões (Ibirapitanga/BA), que serão capacitados nas próximas semanas, totalizando 30 novos integrantes do projeto. Após o curso, serão escolhidos os locais dos meliponários individuais, e recebidos os insumos e as colônias para início do acompanhamento técnico.
A nova meliponicultura Solange Nery, liderança no Assentamento São Jorge II, conta que sempre teve curiosidade sobre as abelhas sem ferrão. “Tudo que é novidade, que gera renda e aprendizado, eu gosto de levar para a nossa comunidade. Hoje aprendi sobre como funcionam as colônias, a respeitar mais o trabalho das abelhas, e também pude conviver e trocar com pessoas de outras áreas e comunidades”, comenta.
Mailson Santos, agricultor do Assentamento João Amazonas, saiu animado da capacitação: “Daqui a dois anos quero estar com 100 caixas e produzir muito mel!”, conta com entusiasmo.
Mais ações para fortalecimento da meliponicultura
As plantas que ofertam polén e néctar - fontes de energia e nutrientes para as abelhas - precisam estar próximas às colônias, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento e realização de serviços ecossistêmicos, como a polinização. Para apoiar a implantação de pastos melitófilos - ou meliponícolas - 15 comunidades participantes do projeto receberam mudas de urucum, aroeira, cajá, ingá e pitanga. As entregas aconteceram na última semana de agosto.
A meliponicultura é uma das frentes de atuação da Tabôa para promover desenvolvimento rural justo e sustentável no campo, cuidando das pessoas e do meio ambiente. Realizado em parceria com o IF Baiano - Campus Uruçuca, o Uruçu na Cabruca inclui ações de fomento à criação de abelhas sem ferrão no contexto da agricultura familiar no sul da Bahia, região historicamente conhecida pelo cultivo de cacau no sistema cabruca, sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica. É assim que a cabruca e a meliponicultura somam forças na proteção da agrobiodiversidade, na preservação da abelha nativa Melipona mondury e no fortalecimento de comunidades rurais. Com os novos grupos, o projeto atualmente alcança 178 famílias em cinco municípios baianos - Camamu, Ibirapitanga, Ilhéus, Itacaré e Uruçuca.
A iniciativa conta com os apoios do Ministério Público do Estado da Bahia, que também participou de sua concepção, e do Instituto humanize.
Foto: Acervo Tabôa | Tacila Mendes.